sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Investigada por desvios, Fundação do ABC é afastada de Mauá

CPI na Assembleia Legislativa diz que FUABC não é transparente e faz gestão privada de recursos públicos

A Prefeitura de Mauá não vai renovar o contrato com a Fundação do ABC (FUABC), que vinha administrando toda a rede de Saúde Pública da cidade. A decisão foi embasada na reclamação da população com a péssima qualidade dos serviços e na falta de prestação de contas. A entidade é alvo de investigação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que alega falta de transparência com recursos públicos e contratação de funcionários públicos sem concurso.

“Tomamos uma decisão importante para melhorar os atendimentos de Saúde. A população estava reclamando muito da Fundação do ABC e nós estávamos descontentes com a falta de prestação de contas adequada. A Saúde agora passa por uma transição e garanto que não vamos permitir que a população seja prejudicada neste período. A mudança vai trazer muitas melhorias em pouco tempo”, explicou a prefeita Alaíde Damo.

A prefeitura de Mauá gastava quase R$ 16 milhões por mês com os serviços da FUABC, que foi contratada pelo ex-prefeito Donisete Braga para administrar todos os equipamentos de Saúde da cidade – Hospital Dr. Radamés Nardini, as 23 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e das 4 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento 24 Horas). Esse modelo, segundo disse à imprensa o presidente da CPI que investiga a FUABC, o deputado estadual Carlos Neder, o modelo de gestão “não tem transparência”.

“Temos percebido, no trabalho da CPI, que parte do dinheiro da Saúde vai para o ralo, sem controle, sem que tenhamos a garantia de que está sendo utilizado a favor da população. Se não tiver controle efetivo, vamos nos deparar com recurso usado para campanha eleitoral ou fins particulares. Nos preocupa muito esse caráter híbrido da Fundação, que é, ao mesmo tempo, entidade de direito privado, ou seja, de apoio, e também passa a imagem de entidade pública. Ela foi qualificada como organização social, assim, faz gestão privada de recursos públicos. Promove contratação de funcionários sem concursos públicos e adquire insumos sem licitação”, disse Neder, em entrevista ao Diário do Grande ABC.

No período de transição, até a saída completa da FUABC, a Prefeitura vai assumir os serviços gradativamente sem que os atendimentos sejam prejudicados. “Estamos construindo um modelo de Saúde Pública em que a Prefeitura tome as decisões, respeite a legislação e seja transparente. O que vinha ocorrendo em Mauá não estava certo, tanto que a população vinha reclamando dos serviços”, comentou a prefeita Alaíde Damo

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